Produtores da região perdem até 90% de hortaliças
Hortaliças devem ficar mais caras
Rádio Clube 21/07/2021 12:09h
Produtores da região perdem até 90% de hortaliças
Foto: Reprodução
A análise é de Renato Theodoro Delgado, de 49 anos, assistente de planejamento da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável Regional de Bauru (CRDS), antiga Cati, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.
O engenheiro agrônomo avalia que o maior impacto foi na olericultura (hortaliças, legumes e verduras). “Em alguns pontos da região, fez zero grau e até temperaturas negativas na madrugada de hoje ontem e de hoje, quando a geada foi pior, e as folhas congelaram. Quando isso ocorre, elas perdem suas fibras, se quebram, e não podem mais ser comercializadas. Neste setor, teve que produtor que perdeu até 90%. Desde que terminei a faculdade, há 25 anos, não tinha visto uma geada como essa”.
Segundo a CRDS, relataram perdas expressivas produtores do setor em Agudos, Avaí, Bauru, Botucatu, Cabrália Paulista, Jaú, Paulistânia, Piratininga, entre outras cidades vizinhas. Outro exemplo vem de Itatinga. Lá, 80% das folhagens da Horta Comunitária Cheiro Verde, foram comprometidas.
Delgado explica que, como o ciclo de desenvolvimento das hortaliças é de cerca de 45 dias, os vendedores deverão comprar de produtores mais distantes, para suprir a demanda até que os agricultores da região se recuperem. E isso deve afetar diretamente o bolso do consumidor. “Vai encarecer o valor das folhagens no mercado, principalmente pelo custo do transporte. É provável que haja menor variedade também”, projeta. “Quem mais sofre com tudo isso são as agriculturas familiares, que cultivam em menor escala. Nem todas terão dinheiro para repor a perda. É um cenário preocupante”, complementa.
O engenheiro agrônomo afirma que, apesar de alguns desses agricultores praticarem a olericultura em estufas – onde as folhas ficam protegidas -, a produção neste modelo não chega a suprir 10% da demanda dos consumidores.
Além disso, pontua que foram impactadas, em menores proporções, plantações de leguminosas e de certas frutas, como o tomate. Também houve registro, segundo ele, de perda total de áreas de pastagem.
Prejuízos
Há dois anos, Leandro de Almeida Serpa, de 49 anos, possui um delivery semanal de hortaliças fornecidas diretamente para o consumidor final, ou seja, não trabalha com venda em varejo. O cultivo dos alimentos orgânicos é feito em sua propriedade rural Campesinos, em Piratininga, e 90% de seus clientes são de Bauru. “Na minha plantação, que tem um hectare, durante a geada, fez zero grau e 80% das folhas congelaram. Calculo um prejuízo de R$ 10 mil”, lamenta ele, que também é presidente do Conselho Rural de Piratininga.
Para se ter uma ideia, Leandro afirma que, durante o inverno – período em que as plantas demoram mais para se desenvolver -, consegue cultivar, em média, 40 pés de alface americana por semana. Após a geada, porém, apenas oito tinham condições de colheita.
“Não vou aumentar meu preço temporariamente para suprir o prejuízo, porque tenho medo de perder meus clientes. Então, vou reduzir minha margem de lucro e torcer para me recuperar logo”, finaliza o agricultor.
 
Fonte: Acontece Botucatu
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