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Regional 02/05/2016

Fechamento de pequenas empresas triplica em um ano, aponta o IBPT

Ao todo, 1.829 empresas fecharam no ano passado, contra 508 em 2014, conforme dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação

Jornal da Cidade de Bauru

Dados do Portal Empresômetro, do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), divulgados pelo Jornal da Cidade de Bauru, revelam que a mortalidade de empresas de micro e pequeno porte em Bauru disparou em 2015. No ano passado, a quantidade de Micro Empresas (ME), Empresas de Pequeno Porte (EPP) e Micro Empreendedores Individuais (MEI) que encerraram as atividades na cidade foi mais do que o triplo do registrado em 2014.

Ao todo, 1.829 empresas fecharam no ano passado, contra 508 em 2014. E os números do Sebrae apontam para mais um ano ruim: somente nos primeiros três meses de 2016, já são 240 empresas de micro e pequeno porte que encerraram as atividades em Bauru, o que representa praticamente a metade do que era registrado durante um ano todo entre 2009 e 2014. Se a tendência se mantiver ao longo dos próximos meses, o ano pode chegar novamente a mais de mil encerramentos de empresas desse porte. As 1.829 empresas que encerraram as atividades representam aproximadamente 4,5% do total de micro e pequenas empresas que estavam ativas na cidade no ano passado (no quadro ao lado, a quantidade total de empresas ativas por ano em Bauru e as que encerram as atividades também por ano, desde 2007).

O ritmo de abertura de empresas também cresceu desde 2012. Somente de 2014 para 2015, foram mais de 5 mil novas empresas ativas em Bauru – o que também é explicado pela crise econômica, pois muita gente que perdeu o emprego acabou abrindo o próprio negócio.

Crise
O economista Carlos Sette cita a crise econômica e política do Brasil como o fator principal para a disparada do fechamento de empresas, e também pelo número maior de aberturas. “O baixo crescimento econômico do País, registrado a partir de 2014, levou junto as empresas, que fizeram cortes de pessoal, e muitas acabaram se vendo obrigadas a encerrar as atividades em definitivo. E com mais gente desempregada no mercado de trabalho, muitas pessoas optam por abrir o próprio negócio, mas muitas vezes não estão aptas a tocar uma empresa, e acabam fechando também”, reitera.

Sette destaca que o cenário atual não é favorável. “Há pouco capital de giro, ou seja, as taxas de juro estão altas, para quem precisa tomar um empréstimo ou financiar algo está mais caro”, afirma. “O último ano bom na economia brasileira foi 2013. Em 2014 o País já não cresceu, e em 2015 a crise veio com força. Neste momento, a economia está dependendo da evolução do cenário político, dependendo do que ocorrer, uma eventual troca de governo por exemplo, pode ser que o Brasil comece a se recuperar no segundo semestre de 2017. Até lá, a projeção é de manutenção da crise, com o desemprego já chegando a quase 10 milhões de pessoas em idade economicamente ativa. Algumas projeções falam em desemprego de até 12% ainda neste ano”, lamenta.

Despreparo
Para o gerente do Sebrae em Bauru, Milton Aparecido De Biasi, a falta de preparo antes de iniciar um empreendimento é outro fator que pesa sobre os pequenos empresários. “Além da atual realidade econômica, muitas pessoas abrem o próprio negócio sem fazer a devida pesquisa de mercado, sem portanto conhecer a fundo o segmento em que está se inserindo. Outro fator é que uma pesquisa recente mostrou que o número de pessoas que abrem uma empresa por necessidade saltou de 29% para 54%. E quando se abre um empreendimento nessa situação, o risco é maior”, avalia.

De Biasi salienta pontos que prejudicam o bom andamento de uma empresa. “O primeiro fator que compromete é o planejamento errado, sem fazer a devida análise de mercado. Outro fator é a falta de um empreendedorismo bem desenvolvido, e também erros de gestão no dia a dia. Soma-se a isso a conjuntura econômica do País”, salienta.

O economista Carlos Sette corrobora com a análise do gerente do Sebrae. “É necessário ter talento para empreender, ou seja, é necessário se preparar. Não adianta sair montando um negócio sem qualquer critério, mesmo diante de uma necessidade”, acrescenta. “É importante buscar orientação, e existem locais que fazem isso sem custo, como o Sebrae, e também a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. São alternativas para quem está buscando conhecimento na área do empreendedorismo”, conclui Sette. A pasta municipal conta com a Sala do Empreendedor, voltada a atender quem está iniciando um novo negócio.


Ações do Sebrae

O gerente regional do Sebrae em Bauru, Milton De Biasi, destaca algumas ações da entidade. “Atuamos em 37 municípios, totalizando mais de 1 milhão de habitantes, sendo que metade deste número se concentra em Bauru e Jaú. Então estamos focando o trabalho nestas duas cidades. Um dos programas que estamos desenvolvendo é o ‘Sebrae com Você’, na qual visitamos as empresas e realizamos uma avaliação modular, que é um diagnóstico da situação da empresa. E claro, as orientações que sempre fazemos aos micro e pequenos empresários de forma rotineira”, aponta. Para entrar em contato com o Sebrae, o telefone é o 0800-570-0800, e o e-mail é o erbauru@sebraesp.com.br. O site da entidade é o www.sebraesp.com.br, e a sede da regional de Bauru fica na avenida Duque de Caxias, 16-82, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.


Tamanho das empresas

O Micro Empreendedor Individual (MEI) pode ter faturamento bruto de até R$ 60 mil anualmente. Acima dessa categoria, está a Micro Empresa (ME), que pode faturar até R$ 360 mil por ano. Em seguida, a classificação aponta as Empresas de Pequeno Porte (EPP), que tem faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões. Acima disso, estão as empresas de médio e grande porte.


Saber parar e se reinventar

Éber Moscheto trabalha com móveis planejados há 19 anos, sendo 15 deles à frente da Dell Anno, em Bauru. Contudo, o momento econômico conturbado do País afetou diretamente o segmento, e ele tomou a decisão de encerrar as atividades antes de perder o controle da situação.

“2012 e 2013 foram anos excelentes. Em 2014, nosso setor estava bem, mas os escritórios de arquitetura já falavam que o ritmo de construções estava em forte redução, e isso sempre se reflete para a gente no ano seguinte. Foi o que aconteceu em 2015, a queda foi de uns 40%. E no começo deste ano, o cenário era o mesmo, sem perspectiva de melhoria, e então tomamos a decisão de encerrar as atividades”, explica Moscheto. “Além da crise que o País atravessa, em Bauru temos a situação pontual da restrição de aprovação de novos empreendimentos, o que freou ainda mais a construção civil. E o setor de móveis planejados depende muito do ritmo da construção de imóveis”, relata.

Desde janeiro, Moscheto vem reduzindo o tamanho da empresa, que deve fechar as portas nas próximas semanas. “Eram 22 funcionários, agora só estamos com dois. Somos considerados pequeno porte, e mesmo assim leva tempo para encerrar as atividades, deixar tudo em ordem. Mas a gente não pode ter apego com a empresa, temos que ser racionais. Não há previsão de que as coisas vão melhorar a curto prazo, então é preferível parar sem ficar devendo”, reitera.

Agora, Moscheto está iniciando um novo negócio, que ao invés de ter 22 funcionários, contará a princípio apenas com ele e um sócio: a empresa ‘Mais 360’, especializada em fotos imersivas, algo novo na região. “Quando se faz a busca de uma empresa no Google, por exemplo, aparece a localização dela e a fachada, com a foto do Street View. O que muitas empresas estão procurando é disponibilizar também fotos do ambiente interno para este ambiente digital, e é neste mercado que estamos apostando”, finaliza.

Fonte: Jornal da Cidade de Bauru

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