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Ditadura 06/12/2012

Padre preso durante regime militar receberá anistia

A cerimônia será no sábado, 08 de dezembro de 2012

Dom Paulo Evaristo com Pe. Augusti

A família do Pe. José Eduardo Augusti, preso em Botucatu (SP) durante o período da ditadura militar brasileira, finalmente, após uma verdadeira batalha, terá direito a uma cerimônia de anistia.

Vítima da ditadura, Eduardo foi um defensor dos Direitos Humanos em suas atividades pastorais, o que o tornou mais uma vítima da repressão política vigente no País após o golpe de 1964, tendo sido encarcerado durante dois longos anos, após injusta condenação, em um processo eivado de falsos testemunhos, irregularidades e torturas.

A cerimônia acontecerá no sábado, 08 de dezembro de 2012, a partir das 10h, no  Auditório Vitae, na Estação Pinacoteca, no Memorial da Resistência, localizado no Largo General Osório, n. 66 – Centro – São Paulo/SP. Para a família e amigos do padre, a data será um dia de reconhecimento, justiça, alerta e júbilo. Em 20 de janeiro de 2011 foi formalmente protocolado na Comissão Nacional de Anistia, no Ministério da Justiça, o pedido de declaração de anistia política post-mortem do Padre José Eduardo Augusti, sacerdote católico brasileiro (09/07/1937 - 09/03/1997). 

História:

Padre José Eduardo Augusti, falecido em 09 de março de 1997, esteve preso injustamente, por ordem da Justiça Militar nos anos de 1968, 1969 e 1970, período em que foi violentamente torturado, como era de praxe nesses “anos de chumbo” da repressão no Brasil.

 
Para todos nós,  seus familiares e amigos, que tivemos a honra e o privilégio de conviver nas décadas de 1960 a 1990 com o querido Padre José Eduardo Augusti, figura mística e humana ímpar do Clero Brasileiro, na Arquidiocese de Botucatu e na Diocese de Lins onde prestou relevantes serviços de fundamental importância à Igreja Católica e à Sociedade Brasileira, será uma grande honra participar dessa 66ª Caravana da Anistia.  
 
O Padre Augusti, como era conhecido, trabalhou ardorosamente, com rara dedicação, junto com a Juventude, notadamente a estudantil, bem como com grupos mais desfavorecidos,  de modo especial os chamados “boias-frias” e trabalhadores rurais.  Em  sua atuação pastoral sempre foi grande e intransigente defensor dos mais fracos contra os poderosos de plantão e as míopes elites privilegiadas deste país. 
 
Exatamente por conta de suas atividades pastorais realizadas em Botucatu e Região junto aos oprimidos e aos jovens que cultivavam a utopia de um mundo melhor, o Padre Augusti foi injustamente preso em 17/07/1968, em Botucatu, de onde foi conduzido ao DOPS em São Paulo onde permaneceu por quase um mês, sendo libertado por força de um “habeas corpus”. 
 
Julgado à revelia em 1969 após já ter se transferido da Diocese de Botucatu para a Diocese de Lins, foi novamente preso, permanecendo cinco meses no DOPS/SP, ocasião em que foi barbaramente torturado, mais uma vez injustamente, por conta de falsos testemunhos. Permaneceu a seguir encarcerado nas celas 07 e 17 do Presídio Tiradentes, de triste memória, nos anos de 1969 e 1970, tendo sido, finalmente libertado em 27 de outubro de 1970.  
 
Retornando à Diocese de Lins, após esse longo período de injusta detenção, Padre Augusti  foi designado  Vigário para a cidade de Guaimbê, local em que acolheu muitas pessoas perseguidas políticas, oferecendo-lhes o necessário apoio. 
 
Em Guaimbê desenvolveu, com o auxílio da Assistente Social Marilene Magri Marques e equipe, importante trabalho nas áreas do atendimento social e da saúde, envolvendo toda a comunidade e grande parte da juventude local nesse trabalho.  Entre os mais significativos trabalhos ali desenvolvidos podemos destacar sua atuação  com jovens estudantes que foram inseridos no contexto pastoral  e transformados em agentes comunitários de saúde. 
 
Esse trabalho serviu de inspiração para a futura atuação do Padre Augusti no IPPH – Instituto Paulista de Promoção Humana, vinculado à Diocese de Lins, onde desenvolveu trabalhos  com os trabalhadores rurais da região, transformando-os em produtores comunitários. Sob sua coordenação, o  IPPH desenvolveu também ações de  suporte a outros projetos sociais pioneiros em vários pontos do país. 
 
Seu trabalho inspirou, também, outros importantes trabalhos futuros na área, tal como o realizado pela Igreja Católica no âmbito da Pastoral da Saúde, brilhantemente comandada pela Sanitarista Dra. Zilda Arns, bem como outros desenvolvidos no Brasil com Agentes Comunitários de Saúde, a partir do Encontro Nacional de Medicina Comunitária/ENEMEC, organizado por ele  em Lins, solenemente encerrado com Missa celebrada pelo Senhor Cardeal Paulo Evaristo Arns. 
 

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